Equipe de Pesquisa
- Kauanna Mahara Nhaia Antoniacomi
- 4 de ago. de 2024
- 2 min de leitura
Quando decidimos, enquanto turma, pesquisar a história do Museu do
Folclore da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP) a ideia inicial era
conseguir desvendar a aquisição e o percurso do acervo que compõe esse museu
quase itinerante.
De mãos dadas com a pesquisa de conclusão de curso de Mikael Prodócimo
descobrimos que o museu havia sido criado cerca de cinco anos depois da
instituição, em 1953. O que impulsionou sua criação foi, justamente, o II Congresso
Brasileiro de Folclore, que aconteceu em Curitiba em agosto do mesmo ano.
Fernando Correa de Azevedo, diretor da EMBAP na época, era também membro
ativo da Comissão Paranaense de Folclore. A relação que Azevedo desempenhava
nos dois lugares foi crucial para formação do museu e articulação com a
Universidade Federal do Paraná, que também desenvolvia pesquisas sobre o
assunto.
O crescente interesse em construir uma identidade nacional fez com que
intelectuais da época buscassem coletar objetos que representassem a cultura local
e nacional, para compor o museu. Demonstravam assim a valorização em ascensão
pelos estudos do folclore.
Ao longo da pesquisa, percebi a importância do museu e desse acervo, que
estava no legado de valorização da cultura popular paranaense. O acervo não
apenas documentou a diversidade cultural da região mas também serviu de ponto
de partida para outras pesquisas, inclusive esta.
Bebendo da mesma fonte de curiosidade desse intelectuais percebemos que
o Folclore no Paraná tinha mais rostos dos que os geralmente mencionados:
conheci, em meio às diversas pastas de arquivos do Círculo de Estudos
Bandeirantes, Renato Almeida e logo após, amigos me apresentaram Roselys
Vellozo Roderjan, nada mais nada menos que fundadora e diretora da Comissão
Paranaense de Folclore, mas esquecida dos seus feitos. A pesquisa sobre origem e
a aquisição do acervo, objetivo inicial, perdia, para mim, um pouco da sua força.
Vejo que é essencial manter viva a memória coletiva em torno da identidade
regional do Paraná e o folclore faz parte disso, assim como a Universidade que
abriga nossa pesquisa, assim como seus pesquisadores. Mas, como estudante de
Museologia, não tenho como encerrar esse projeto sem questionar sobre essas
personalidades que foram esquecidas. Se deixamos algum legado acredito que seja
um pedido: lembre-se e pesquisem Roselys, uma folclorista esquecida nessa
história. Lembrar dela é também não nos deixarmos esquecer.
Kauanna Mahara Nhaia Antoniacomi

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